Amazónia e Nordeste Brasileiro

 

30 de Julho a 14 de Agosto de 2004

 

    A Amazónia não desiludiu. A viagem foi espectacular, começou com um belo jantar ainda em Recife nossa cidade de apoio após a chegada ao Brasil.

    No dia seguinte pela manhã bem cedo voamos em direcção a Cuiabá capital de Mato Grosso, para de seguida percorrermos de autocarro quase 900 km em direcção ao norte do estado, já em plena bacia amazónica.   

    Chegamos a Alta Floresta por volta das 3h da manhã do outro dia, onde pernoitamos antes de nos embrenharmos na selva. Pela manhã tomamos um bom pequeno almoço e descansamos da viagem quer com um mergulho na piscina, quer observando os bandos de Papagaios e Araras que sobrevoavam o hotel à procura dos frutos nas árvores da pequena reserva que este possui. Já se sente no ar ao sons e odores da selva.   

    Partimos no final do almoço em direcção à selva virgem. São 2h de carro por uma estrada de terra, mais 30 minutos de barco rio acima. Durante o trajecto podemos observar a quantidade de camiões carregados de troncos de enormes árvores algumas com centenas de anos. É triste observar toda esta destruição, mas nem tudo está mal, pois esta é uma área ainda pouco explorada (esperemos que continue assim) e com grande biodiversidade.

    Ao entrarmos na área da reserva propriamente dita com cerca de 200 000 ha, adjacente a uma outra com alguns milhões de hectares, a floresta adensa-se e as árvores altas reaparecem. Facilmente se verifica que aqui madeireiros é coisa que não existe e ainda bem.

    Chegamos finalmente junto ao Rio Teles Pires, um afluente do Tapajós que por sua vez desagua no grande Amazonas a uns 1000 km mais ao norte. Embarcamos para a nossa derradeira viagem até ao paraíso, seguindo em direcção ao Rio Cristalino (um afluente do Teles Pires) onde se localiza o lodge onde iremos ficar durante 8 dias (e que oito dias estes).

    Entre as várias actividades que se pode fazer encontram-se caminhadas pela floresta, passeios de barco, torres de observação, pernoites em plena floresta, subidas a árvores em rappel entre outras. Durante todos esses dias o grupo manteve-se expectante quanto aos animais e plantas que iríamos observar e a selva correspondeu.

    A quantidade de espécies animais observadas nesses dias foi assombrosa, desde várias espécies de Papagaios, Tucanos e Araras que voavam bem perto de nós na torre de observação de 50 m, até Jacutingas e Mutuns (aves do tamanho de Perus) encontradas ao longo do rio. Mas embora as aves fossem as mais fáceis de observar, dada a sua abundância (existem cerca de 600 espécies nesta reserva), foi a observação de mamíferos, alguns dos quais raros, que mais marcou o grupo.

    Aqui vai uma lista do que observamos:

- 6 espécies de primatas (Macaco Aranha de Cara Branca (raro), Macaco Capuchinho, Macaco Cuxiu (raro), Macaco Uivador, Macaco Titi e Saguis);

- Tapires, raro, só num dia foram observados 3 num espaço de 1h;

- Tamanduá Mirim e Pacas (animal raro);

- Veados, muito difíceis de se observar;

- Lontras Gigantes, em perigo de extinção, uma família de 6;

- Lontra Neotropical, mais pequena que a anterior;

- Esquilos e Capivaras (o maior roedor do mundo);

- Morcegos, completamente inofensivos;

- Pecaris, uma espécie de porco selvagem, foi observado um grupo de cerca de 80 indivíduos;

- Cutias, o único roedor capaz de abrir a casca do fruto da Castanheira do Pará;

- Jacarés, abundantes mas tímidos;

- Anacondas, uma das quais com cerca de 3 m encontrada a descansar num tronco na margem do rio;

- Iguanas e Tartarugas;

- Piranhas, só numa tarde foram pescadas 26 (com cerca de 20 cm cada), para fazer uma deliciosa sopa de Piranha, parabéns aos 3 pescadores do grupo;

    Para além é claro dos abundantes insectos, desde Abelhas, Lagartas de cores berrantes, Tarântulas a Borboletas de todos os tamanhos, feitios e cores (a reserva possui mais de 1000 espécies desses belos insectos alados).

    Todas estas actividades eram complementadas com refeições deliciosas, preparadas pelo João (o cozinheiro de serviço desta vez), que deixavam o grupo de água na boca.

    No final de cada passeio da manhã, ninguém dispensava um delicioso banho no rio na “simpática” companhia de Piranhas e Jacarés (não, não estou a brincar, e ao contrário do que se pensa, não corríamos perigo algum), que ajudava a arrefecer o corpo do calor do dia (na ordem dos 30º a 35º). No final do almoço uma sesta bem merecida, pois o toque da alvorada era às 5h da manhã, todos os dias.

    Pelo meio ficavam deliciosas conversas com biólogos, guias, fotógrafos ou outros turistas que se encontravam no lodge, bem como com os próprios empregados, muito simpáticos por sinal.

    Ah!!!!! E não podia esquecer aquelas caipirinhas que punham toda a gente a dormir às 10h da noite.

    Eis que finalmente chega o ultimo dia  e lá voltamos nós a fazer o mesmo trajecto de regresso até Recife.

    Mas a viagem não termina aqui. Uns dias numa bela praia do Nordeste, no caso Porto de Galinhas serviram para relaxe total, ora mergulhando nas águas quentes de Pernambuco (na ordem dos 27º), ora caminhando ao longo dos seus areais.

    É hora de voltar a Portugal.

    Resta-nos a lembrança de 15 dias emocionantes, repletos de histórias e aventuras para contar e relembrar na esperança de um dia lá voltar……

Paulo Anjo