AMAZÓNIA-PANTANAL

 

Agosto de 2007

 

            Quando decidi fazer esta viagem organizada pelo Paulo à Amazónia e ao Pantanal acreditei que seria uma oportunidade a não perder. Pensava eu, ingenuamente, que seria a sua última viagem por estas paragens, dado ser esta já a quarta vez. Mas estava enganada… porque ele diz que voltará em breve, e eu também.

A viagem decorreu de 27 de Julho a 13 de Agosto, e para mim soube a muito pouco. A vontade de voltar para casa era mínima, para não dizer nula!

O grupo era formado por oito pessoas: o Paulo, eu (Célia), a Gracinda, a Elisabete, a Ana Maria e a Ana Luísa, a Isabel e o Mário . Só eu, o Paulo e a Gracinda fizemos a viagem para a Amazónia, o resto do grupo optou pelas praias dos estados de Alagoas e de Pernambuco (Reflexão da versão Nordeste+Pantanal).

            Depois de sete horas de voo chegamos a Recife e fomos pousar as bagagens ao hotel Jangadeiro, todos excepto a Elisabete, cuja mala só chegou quatro dias depois!... Ainda antes de jantarmos (no self-service Chica Pitanga) fui com a Isabel beber uma água de coco em frente ao hotel.

 

 

 

            No dia seguinte, pelas 7 horas, já estávamos novamente no aeroporto, prontos para embarcar para Cuiabá, via Brasília. No momento do embarque, ainda tivemos a surpresa de ver o Fábio Júnior, de óculos escuros, passar-nos à frente (como uma figura pública tem direito!) e ser revistado porque o controlo não se cansava de apitar!

            Chegados a Cuiabá já tínhamos alguém à nossa espera: um professor universitário que nos transportou até Várzea Grande. Ai, no terminal de camionetas apanhamos um autopluma que nos levou até Alta Floresta. Foram 13 horas de viagem. Entre as 12.45h e as 2.10h percorremos mais de 800 km de estrada. No Posto Gil, um local estratégico, comemos uma deliciosa espetadinha de frango por 3 reais apenas (1 euro!).

            Chegados em Alta Floresta alojamo-nos no hotel com o mesmo nome. Fica numa zona resguardada do centro da cidade, junto à selva, por onde, já na manhã seguinte, percorremos uma pequena trilha: vimos um ninho de harpia, macacos prego, capivaras junto da lagoa natural do hotel, uma cutia que atravessava a relva junto da piscina… Depois do almoço partimos em direcção à reserva da selva Amazónica: o Cristalino Jungle Lodge, propriedade privada da D. Vitória da Riva Carvalho. Pelas 17 horas já nos esperava o Plínio, gerente deste santuário natural, e o Zé que nos ofereceu um suco de uva com manga (delicioso!). Mas para lá chegar percorrermos uma hora de carro por estrada de terra batida e depois ainda trinta belos minutos de barco. Já estávamos a 29 de Julho, Domingo, e nessa noite foi feito um jantar de peixe –Tambaqui - assado nas brasas. Vimos logo ali um casal de capivaras que passeava pelo jardim.

 

 

 

            No dia seguinte, pelas 6 horas da manhã, começamos por fazer a primeira trilha: a trilha da castanheira. É uma árvore onde são precisas 6 pessoas para abraçar o seu tronco. O nosso guia desse dia foi o Sebastião, que encontrou um bom coco de castanha do Maranhão e com uma catana o abriu para podermos saborear as castanhas que se encontravam no seu interior. Nessa manhã vimos exemplares de borboleta, jacaré, tartaruga, papagaio de cabeça azul, arara, mutum, colibri (no seu ninho), martim-pescador (guarda-rios), soco e socozinho, ibis negro, tiriba, andorinha e urubu. Já no alojamento, na hora do almoço, vimos macacos-prego nas árvores envolventes. O Sebastião pensando ter avistado ariranhas (lontras-gigantes) pegou no barco comigo e com a Gracinda, e partiu a toda a velocidade em direcção a elas, mas era apenas o casal de capivaras.

 

   

 

A partir dessa tarde, e nos restantes dias que ficamos no Cristalino, o nosso guia passou a ser o Jorge. Um guia muito apreciado pelo Paulo, pois além de excelente observador e conhecedor da fauna e flora locais, é também fotógrafo, o que para o Paulo é mais um ponto a favor. Nessa tarde, para além dos muitos animais já referidos, vimos uma anta a fugir da água, assustada com a passagem do nosso barco. Fomos ainda ao saleiro esperar pelas antas mas não apareceram. Esperamos uma hora e saímos de lá já bem noitinha; eram 19h e o que vimos foram só pirilampos!...

            Depois de mais uma curta noite de sono, lá fomos às 6h fazer mais uma trilha, desta vez a trilha da Serra. A vista de cima é lindíssima e pudemos apreciar algumas aves como o gavião branco, o joão bobo, cabeça seca, tiriba, e algumas araras, entre outras espécies já avistas. A vegetação é densa, existem muitas sementes no chão e fungos nas cascas das árvores; muitas árvores já caídas expondo as suas curtas raízes num solo com poucas dezenas de centímetros.

            Foi no miradouro do alto da serra que encontrei a minha primeira carraça no pescoço. Aliás, quem a encontrou foi o Jorge, que tem olho até para descobrir um bichinho com um milímetro! Só o repelente da Gracinda e as mãos habilidosas do guia possibilitaram que esse parasita desgrodasse do meu pescoço. Durante essa tarde fomos fazer a trilha do manakim, uma pequena ave de cabeça vermelha que não é muito fácil de encontrar. Ainda vimos a ariramba e a jacutinga, o macaco-uivador e o macaco-prego. E mais um dia de passou…

            No primeiro dia de Agosto, quarta-feira, às 5.30h saímos para fazer a trilha da torre. Subimos a uma torre de 50 metros de altura onde pudemos esperar pelo nascer do sol. A vista por cima da copa das árvores é um espectáculo digno de repetir, por isso subi esta torre 5 vezes ao longo da minha estadia! Da torre pudemos apreciar os macacos-aranha de cara branca e também as araras, a viuvinha, o capitão de cinta e as tiribas. Na volta, o Jorge encontrou uma carcaça de anta. Antes do almoço, fomos tomar um banho num banco de areia que se formou junto ao alojamento. Lembro-me de perder o receio da água (com piranhas e jacarés!) depois deste meu primeiro banho. Depois o almoço e as limonadas muito bem preparadas pelo Zé deixam-nos prontos para mais uma cesta de cerca de duas horas nas redes montadas no alojamento. Só pelas 15h voltamos a sair, desta vez em direcção à trilha do limão. Voltamos a ver antas a sair do rio e, pela primeira vez, vimos duas lontras brincando.

 

   

 

            Como no dia anterior, na quinta-feira saímos às 5.30h, mas desta vez foi em direcção à cigana: um local afastado do alojamento por onde se circula de barco e onde existe uma população de ciganas, aves semelhantes a galinhas que são difíceis de fotografar pois se escondem por detrás do arvoredo. Lá existem muitos pés de água-pé, uma planta aquática que faz uma cobertura muito bonita sobre as águas! Pelo caminho, seguimos uma família de ariranhas durante cerca de uma hora e meia, e vimo-las apanhar e comer peixe, sempre subindo o rio até desaparecerem numa pequena lagoa onde têm o seu esconderijo.

            Na cigana o Jorge conseguiu (ao fim de algumas tentativas frustradas!) pescar um tucunaré e, bem mais facilmente, duas piranhas gordinhas. Também o Paulo pescou piranhas mas acabou por lança-las novamente ao rio, por falta de peso mínimo permitido para consumo!... Os peixes foram depois limpos, temperados e assados pelo Jorge que encontrou uma margem limpa para poder preparar os peixes e fazer a fogueira (admiro esta gente que sabe como viver na selva e desenrascar-se às mil maravilhas usando os recursos da natureza!). Almoçamos mesmo ali e depois ainda fomos ao banho, é claro!... Aliás, fomos não é bem o termo: fui eu e o Jorge a antever os próximos banhos que se resumiram à nossa presença, pois o Paulo e a Gracinda preferiram banho de chuveiro! Na volta, já tarde, vimos um casal de antas, um de cada lado da margem do rio, e já junto ao Lodge uma outra anta na margem esquerda. Jantamos uma deliciosa carne recheada e depois do jantar fui com a Gracinda e o Jorge ao saleiro procurar porcos. Esperamos novamente cerca de uma hora mas, mais uma vez, só nos apareceram pirilampos e estrelas no céu, o que para mim até bastou. Nessa noite ainda subimos à torre. A Gracinda ficou-se pelo segundo patamar (ela tem vertigens), mas eu subi até ao cimo da torre e pude desfrutar, por cima da copa das árvores, de um lindo céu estrelado, a lua cheia a “sorrir” para mim e do grande braço da Via Láctea! - nesse momento soube que tinha de lá voltar… Foi um record deitar-me às 23h pois até então pelas 9.30h estávamos todos prontos para dormir.

 

     

 

            Na manhã do dia seguinte, sexta-feira, voltamos à torre. O Paulo queria muito fotografar araras e na primeira vez que lá fomos uma pequena distracção causada por mim (!...) fez com que ele perde-se essa oportunidade. Pudemos rever famílias de macaco-aranha em actividade: mães transportando as suas crias; macaquinhos  alimentando-se e brincando na copa de uma árvore… Também vimos macaco-prego e macaco-uivador. As marianinhas (papagaios pequeninos verdes e amarelos) andaram de árvore em árvore ao som que saia do gravador do Jorge.

            Para além das habituais aves, ainda avistamos um anambé (pequena ave azul turquesa), um anacã (pequeno papagaio roxo) e um araçari (um tucano de pequena dimensão). O problema é que deixei acabar a bateria da máquina fotográfica e não registei nada nessa manhã! Talvez isso até tivesse dado sorte e descendo a torre em direcção ao saleiro, encontramos neste local uma grande família de porcos! Claro que no momento em que nos aproximávamos todos eles fugiram (como qualquer animal da amazónia foge dos humanos!), mas o Jorge - com toda a sua experiência e sabedoria - sugeriu que subíssemos à pequena torre de observação e aguardássemos pelo seu regresso.

            Cerca de 15 minutos de espera e lá estavam todos novamente. Primeiro chegou um macho para observar o local e depois, na ausência de perigo, toda a família se aproximou. Contei 60 indivíduos, entre eles 15 juvenis de um castanho claro (os adultos são muito escuros).Vimos adultos que se alimentavam de restos de troncos com sal (lançado pelos guias); crias que mamavam na mãe; crias que se deitaram a dormitar; indivíduos roçando-se para activar as glândulas dorsais odoríferas; adulto que competiam pelo alimento… Foram cerca de 30 minutos muitos emocionantes e eu sem poder registar nada (!), excepto na memória visual onde ficaram registados estes momentos e também o cheiro muito intenso que os porcos libertam pela sua glândula dorsal! Valeu a boa vontade e a câmara do Jorge, que filmou toda esta actividade e que me prometeu enviar o filme em DVD para Portugal. Depois de toda esta emoção, só novamente um banho no rio para me relaxar… O almoço foi sucedido de uma observação de macacos-prego que comiam dos frutos de uma grande árvore por detrás do Lodge. Mais tarde, fizemos uma trilha que nos podia levar à onça ou pelo menos à sua pegada. Mas a única pegada vista foi a de veado e de anta! Valeu o passeio pela observação do macaco cuxiu!...

            Já vamos a 4 de Agosto, sábado, e nesta manhã subimos o rio e logo vimos uma lontra. Fomos fazer a trilha de uma segunda serra: novamente uma vista muito bonita (mas desta vez avistamos poucas aves). Depois de mais um banho no rio, do almoço e da sesta fomos, uma vez mais, fazer a trilha da torre. Desta vez para ver a actividade do final da tarde e o pôr-do-sol. Foram avistados os macacos, as marianinhas, o capitão de cinta, o aratau camuflado (a causa da nossa distracção anterior e da perda das fotos das araras!). No final do dia fomos fazer uma focagem nocturna o que nos permitiu ver as três espécies de jacarés, uma rã coaxando num tronco, um bico-de-canoa, duas garças brancas e toneladas de mosquitos (a Gracinda até engoliu um!...). À noite voltei à Torre para ver as estrelas... Não me importava de reproduzir esta noite todos os dias da minha vida!

            Já estavamos na manhã do último dia, Domingo, e voltamos à cigana. O mais interessado era o Paulo que queria voltar a encontrar a família de ariranhas mas, desta vez, elas não colaboraram e não apareceram. De qualquer forma, a ida à cigana permitiu-nos ver ciganas a voar e até tivemos a oportunidade de as fotografar (o que não tinha acontecido da primeira vez). Descemos o rio e procuramos os macacos zogue-zogue, mas estes apenas responderam, e de uma forma muito expressiva, à gravação do seu ruído, levado no gravador pelo Jorge. Depois, e ainda antes do almoço, no banho do rio para além do Jorge tive a companhia de uma família irlandesa (a mãe e duas filhas gémeas) e da D. Vitória (a pessoa que idealizou todo este paraíso na Terra). Cumprimentamo-nos e a D. Vitória disse que eu parecia ser mais brasileira do que portuguesa – é a minha pele de cor morena.

            Depois das cochinhas de frango e da limonada do almoço preparei-me para fazer as malas, que trouxeram alguns exemplares de coco da castanheira do Maranhão e umas quantas sementes. Às 15.30h estávamos de partida para a Alta Floresta e a despedida de todos os que nos receberam com um grande sorriso foi o único aspecto negativo que tenho a apontar.

            Já em Alta Floresta, no hotel, ainda pudemos passear pela lagoa e ver uma família de capivaras descansando na sua margem e também algumas cutias que se alimentavam. Estas maravilhas da natureza, e outras, foram revistas na manhã do dia seguinte, ainda antes do pequeno-almoço. Depois do pequeno-almoço, pelas 8.30h fomos visitar o Recanto das Orquídeas, um local particular que fica mesmo em frente ao hotel. Este jardim é propriedade da D. Apolónia que comprou o espaço e o criou de raiz. A sua colecção de cactos e orquídeas é das maiores de todo o Brasil e nós tivemos o privilégio de a conhecer e de sermos acompanhados na visita pela anfitriã. Ainda tive a oportunidade de refrescar o meu pescoço com a sua jibóia de estimação e alimentá-la com um ratinho branco criado para o efeito! (as fotos que me tiraram e que eu tirei não deixam margem para dúvida). Depois a manhã de segunda-feira continuou com as inevitáveis compras à loja de artesanato da cidade, que incluíram as famosas castanhas do Maranhão. Já depois do almoço -no self-service Cambalacho - consegui comprar na rua a minha tão desejada rede, por 60 reais. E às 19h partimos para mais 12h de estrada que nos levou novamente a Várzea Grande.

 

 

 

Às 7h do dia seguinte tínhamos o Marcelo à nossa espera: o filho do professor universitário que já nos tinha transportado. Depois de um banho fresco e do pequeno-almoço, O Marcelo levou-nos até à Chapada dos Guimarães. A Chapada é um conjunto montanhoso que dista 80 km de Cuiabá e onde pudemos contemplar ribeiros que funcionam como piscinas naturais e grandes penhascos, como o portão do inferno e o véu da noiva (uma cascata muito elevada); ai situa-se também o marco geodésico da América do Sul. O almoço foi junto a uma outra cascata - a cachoeirinha. Comemos uma espécie de caldeirada de peixe, acompanhada de pilão e de uma caipirinha. Tudo estava no ponto certo!... Ao jantar, e no restaurante Tôatoa, em frente ao hotel Diplomata, comemos uma picanha ao som da dupla Guilherme e Santiago e também da famosa canção “O meu amor é azul como o mar azul”…

            Já estamos a 8 de Agosto, quarta-feira, e de partida para o Pantanal. Nesta manhã voltamos a reunir todo o grupo e lá fomos nós, numa van de 10 lugares, em direcção ao hotel Porto Jofre, que fica no final da transpantaneira, a 250 km de Cuiabá. Esta viagem, de cerca de 7h, levou-nos até Poconé (capital do Pantanal) onde começa a Transpantaneira: uma estrada de cascalho e terra batida que atravessa todo o Pantanal norte e onde os animais facilmente são avistados. É interrompida por mais de cem pontes de traves de madeira e de onde pudemos fotografar os tuiuiu- aves de grande porte, típicas desta região e que fazem belos ninhos nas árvores. Também vimos os jacarés, os búfalos e os gaviões, as garças e os urubus, os bem-te-vi, as capivaras, os cardeais na fazenda Santa Teresa e as araras azuis na fazenda Santa Isabel… Tudo é digno de uma paragem estratégica, até mesmo as idas à casa de banho do grupo feminino!

 

   

 

            Chegados a Porto Jofre, ainda antes do pôr-do-sol, fomos ver o lago com os maiores nenúfares que alguma vez vi! Têm uma folha tão larga que quase acreditamos que nos podemos sentar sem perigo de mergulhar! Quem não corre esse risco são os bem-te-vi e os cardeais que lá pousavam. Depois ainda passamos pela margem do rio e vimos uma pequena embarcação chegar com peixe graúdo.

 

     

 

            Na quinta-feira, logo antes do pequeno-almoço, fomos novamente até à lagoa e apreciamos o nascer do sol. Às 7h da manhã encontramo-nos com o Vanderlei, o guia que nos iria acompanhar nesses dois dias pelo rio. E lá partimos rio acima na procura da onça (como todos aqueles que vão a Porto Jofre !). Pelo caminho, e durante cerca de 40 minutos, acompanhamos uma família de três ariranhas que pescavam e comiam o seu peixinho, ao que se seguiu uma paragem estratégica para cinco espécimes do género feminino do Homo sapiens sapiens regaram umas plantinhas! Esta aventura partilhada foi uma experiência inédita!... Da onça ainda não havia sinais.

            Depois da chegada e após um banho na piscina e de um delicioso almoço partimos, desta vez rio abaixo. Passamos por um jacaré morto que estava a ser lentamente ingerido por urubus e, mais à frente, encontramos uma pegada de onça- um primeiro sinal de esperança! Logo depois o Vanderlei inverteu o sentido do barco e passamos a subir o rio. Alguns km acima o Vanderlei pára o barco e aponta para a margem esquerda do rio e lá estava ela! Era uma onça fêmea, adulta, deitada na sombra da margem. Pudemos estar alguns momentos a apreciar os meus movimentos graciosos, desde o seu levantar, o olhar e a sua despedida por entre a vegetação. Depois o brilho nos olhos do Paulo (e nos meus também) são uma imagem que não vou esquecer - tinha sido alcançado o grande objectivo da viagem!

            No dia seguinte, não voltamos a ver a onça. A viagem de barco apenas nos proporcionou o encontro com lontras e búfalos, para além de tudo o resto já observado… O almoço foi rio acima, na margem de uma fazenda onde fomos recebidos por um casal conhecido do Vanderlei. Este, e à semelhança do Jorge, fez um fogo e preparou-nos um peixe- novamente o tucunaré - salsichas frescas e picanha. Tivemos a companhia de duas dúzias de cardeais que não se afastaram da farinha de mandioca deitada no chão. Terminamos a tarde com o pôr-do-sol visto do rio (para felicidade da Isabel que gostou mais de ver o pôr-do-sol do que ter avistado a onça).

            No sábado, último dia de estadia, a manhã foi passada em Porto Jofre, entre a lagoa e a transpantaneira. Fizemos a pé algumas centenas de metros pela estrada e eu e a Elisabete registamos este momento na digital. Alguns caminharam até encontrar uma primeira lagoa e de lá trouxeram grandes caracoletas (um petisco para o gavião). Antes do almoço ainda houve tempo para um banho de piscina, mas só eu (sempre!), a Ana e a Isabel molhamos literalmente o biquini (a Elisabete não passou das pernas). Pelas 13.30h lá partimos na van em direcção a Cuiabá. Foram sete horas bem passadas, entre bois na estrada, lojinhas de artesanato, jacarés que respondem ao chamado, dúzias de cardeais a comer farinha de mandioca, bando de araras azuis entre duas árvores de pé da estrada…

            Chegados ao hotel Diplomata, em Várzea Grande, preparamo-nos para um ligeiro jantar, pois às 4.30h já estávamos no aeroporto e às 5.30h partíamos para Brasília, cidade construída e inaugurada em 1960 para ser capital do Brasil. Ai visitamos a catedral, o Palácio de Itamaraty, o Palácio do Congresso Federal e o Palácio do Planalto. Todos os edifícios projectados pelo arquitecto Óscar Niemeyer.

            Na catedral descobri a existência de uma réplica ao milímetro da escultura de Miguel Ângelo da Pietà (a nossa Senhora com Jesus nos braços) e de uma fotografia do Santo Sudário. Também aí vi, pela primeira vez, uma pequena imagem da Nossa Senhora da Aparecida (que também me pareceu ser uma réplica da original que se encontra na Basílica em S. Paulo). Depois, já no exterior passeamos pelo corredor de vendedores de flores e sementes secas que coloriam todo o passeio! Algumas delas iguais às que vi na Amazónia e que trouxe comigo.

 

 

            Visitamos a Câmara dos Deputados, onde já se faz a votação secreta com o recurso à impressão digital de cada deputado, e depois, ainda antes do almoço, fomos ver a maqueta da cidade de Brasília – almoço que se passou num self-service tipo “enfarta burros” onde tudo era permitido comer e beber, inclusive o café com leite e canela, que provei a achei delicioso!

            No museu do Palácio do Itamaraty, já depois do café aromatizado com canela, vimos alguns móveis, quadros e esculturas com história – história brasileira que se mistura com a portuguesa, a persa e até a chinesa. Mais algumas fotos tiradas na praça central recheada de pombos e passamos para o Palácio do Planalto. Aqui, gostei especialmente de ver a sala que tem expostas as fotografias de todos os ex-presidentes do Brasil, mas também foi interessante passar pela sala do actual presidente Lula da Silva. A nossa saída do Palácio foi um tanto forçada visto termos o avião para apanhar e o tempo esgotava-se…

            Bom! E lá viemos nós de Brasília até Lisboa, alguns de nós esticados em quatro lugares… E depois se tivéssemos apanhado o comboio em Lisboa tínhamos chegado mais cedo a casa já o que maior atraso verificado foi este entre Lisboa e o Porto! Mas chegamos todos (malas incluídas!) e ainda tive direito aos meus champôs e cremes com mais de 100 ml que não puderam ir comigo!...

            Parabéns ao Paulo pela excelente organização (tudo correu bem, mesmo os aspectos que ele não poderia controlar).

Até á próxima viagem…

Célia Carvalho Ribeiro