Sierra de la Culebra "O Lobo Ibérico"

De 4 a 6 de Dezembro de 2009

Dia um - sexta-feira, 4-12-09

Serra da Culebra, Norte de Espanha. Riquíssima em biodiversidade, esta serra é essencialmente conhecida por ter várias alcateias de um animal que povoa desde de sempre o nosso imaginário - o lobo.

Cansados dos fins-de-semana de chuva, tínhamos esperança que estes dias fossem melhores. A viagem iniciou-se ao princípio da tarde. Partimos da Maia, ainda secos, e encontramo-nos com o Paulo e a Célia na estação de serviço no Alvão. Antes disto, já tínhamos vivido uma primeira aventura que foi conseguir ver a autoestrada, pois era tal o nevoeiro que a tarefa estava complicada. Seguimos em direcção a Chaves e num instante, estávamos perto da fronteira. Já em Espanha, a visão das montanhas da Sanábria, com o topo coberto de neve, fez despertar a vontade de voltar a visitar a região. Já com apetite, tivemos de parar para o grande almoço do dia: as famosas bolachas sem sal do Paulo, um bocadito do lanche da Célia, umas frutas e tudo isto regado com o tradicional sumo de ananás  e leite chocolatado (para a próxima, vamos mais prevenidos). 

Seguindo o nosso objectivo, chegamos ao nosso alojamento. Fomos recebidos calorosamente e distribuídos pelos simpáticos quartos de um alojamento pitoresco.

Às quatro da tarde começamos a primeira caminhada na serra, com um enganador céu azul que fazia pelos estradões enlameados. Fomos à procura de pegadas de lobo, sempre alerta não fosse aparecer  algum veado, javali ou guarda. O caminho permitiu apreciar a flora da região com os pinheiros pequeninos que já faziam lembrar a época natalícia. Vimos as desejadas pegadas, mas o fotógrafo de serviço, o Joaquim, fez asneira e ficaram desfocadas. Ainda fizemos uma espera mas sem sucesso, pelo que regressamos à aldeia antes de anoitecer.

 

Antes de jantar, descobrimos um dos pontos altos da estalagem - a lareira acesa, local precioso para ler e conversar. Depois do repasto chegou, esfomeado, o resto do grupo: as famosas Anas e um casal amigo.

Dia dois, sábado, 5 / 11 / 2009

Depois do pequeno-almoço, fomos fazer uma longa caminhada, já com chuva. Vimos veados a comer num lindo campo de sobreiros e aproveitamos para tirar umas fotos e ter lições de fotografia com o Paulo. Já no estradão vimos mais alguns veados, mas com o intensificar da chuva regressamos à base.

 

Após o almoço saímos outra vez, mas o tempo não nos deu tréguas e o nevoeiro era o pior para se fazer uma espera. Voltamos à aldeia e esperamos pela Clara Espírito - Santo, bióloga da empresa www.montes-de-encanto.pt. A Clara levou-nos para um ponto estratégico para se fazer uma espera, mas a chuva e o teimoso nevoeiro cantaram novamente vitória e tivemos de regressar. Já na estalagem, numa fria mas simpática sala, a Clara nos deliciou com uma apresentação em power-point sobre o lobo. Das características da espécie, passando pelas dificuldades na sua preservação, as imagens e a descrição da Clara elucidaram-nos sobre a vida deste belo animal e da relação complicada que tem tido com o Homem. Saiu reforçada a admiração que já sentia pelo lobo.

O jantar foi muito agradável mas o cansaço já se estava a apoderar do grupo. Ficou a expectativa que o dia seguinte chegasse com mais sorte.

Dia três – Domingo, 6 / 11 / 2009

Ninguém nos acordou às 6.30. Foi o sinal que ainda havia muito nevoeiro. A hipótese de ver os lobos de madrugada estava fora de questão. Depois do pequeno-almoço, ainda fomos procurar vestígios (vimos pegadas e excrementos) e aproveitamos para tomar café em Feces de Abajo.

Já no alojamento almoçamos uma fantástica paelha. Limpámos os pratos e não ficou nem um camarão.

Estava na hora de partir. Sabíamos que íamos apanhar muita chuva na viagem mas tinha de ser. Despedimo-nos já a pensar regressar (com melhor tempo), pois apesar do principal objectivo não ter sido conseguido, é sempre bom estar na companhia de quem gosta da natureza e de quem nos leva a conhecer locais como o da Serra da Culebra.

Iolanda Borges