Safari fotográfico a Doñana

            O safari fotográfico a Doñana foi um sucesso, a avaliar pelo nº de inscrições tardias que já não foram e pelos comentários dos 16 felizardos que participaram.

            O alojamento embora simples era muito confortável e agradável, bungalows de madeira equipados com cozinha e um pequeno alpendre onde se podia jantar à luz das estrelas e sob uma temperatura bem agradável, na ordem dos 18º à noite. Os dias ensolarados com médias a rondar os 25º já convidavam a um banho na praia, mesmo ali ao pé.

            Já a pitoresca aldeia de El Rocio, com as suas casas típicas, as suas ruas de areia e a circulação sempre omnipresente dos cavalos ajudam a criar uma atmosfera de início do século passado. Os restaurantes típicos onde se podia comer uma bela paella ou degustar alguns pratos de caça tornaram realmente inesquecível esta aldeia.

Mas voltando ao objectivo principal da viagem que era a observação e fotografia da fauna e flora deste imenso parque nacional, não ficamos nada defraudados. O nº de espécies de aves observadas foi assombroso, posso aqui destacar algumas pela sua beleza ou raridade tais como a Águia Imperial (observada no ninho), Flamingos, a colónia de Cegonhas (numa área de sobreiros onde se podiam observar os ninhos das mesmas até onde a vista alcançava), o Papa Ratos (ave rara e esquiva), Caimões, Ibis Negro, Colhereiros, Milhafres (ave de rapina abundante nestas paragens), Águia Calçada, Águia Cobreira, muitas espécies de passeriformes e entre os mamíferos, coelhos e veados para além dos cavalos que pastam em estado semi-selvagem nas vastas planícies do parque.

            A tudo isto se deve o profissionalismo com que o nosso guia nos conduziu neste imenso parque, apetrechado de binóculos e óculos de longo alcance que nos permitiram a observação das espécies mais raras e esquivas como a Águia Imperial. Biólogo de formação, mostrou todo o seu saber no nosso passeio de 12h, sim são mesmo 12h, das 7h30 da manhã às 7h30 da tarde.

             Não menos importante foi a observação indirecta do Lince Ibérico, no caso uma fêmea com as suas crias, através de cameras instaladas no Centro de reprodução da espécie em Acebuche. Pena que não o tenhamos visto directamente no seu ambiente natural, mas só o facto de termos percorrido trilhos onde pegadas nos revelavam a presença desse belo carnívoro, criou momentos inesquecíveis.

            Não nos podemos esquecer a bela paisagem proporcionada pelas várias espécies de flores que cobriam os campos e zonas alagadas do parque nesta altura do ano.

  

    Em suma uma viagem a ser repetida no próximo ano na Primavera, sem sombra de dúvida.

Paulo Anjo